CVM em Notícias - Informação e Divulgação, Edição n 014/05/2007 - Especial 1ºs Socorros

Especial 1ºs Socorros

FUNCIONÁRIOS DA OXFAM
FORMAM-SE EM SOCORRISMO 

Dez funcionários de diferentes áreas da OXFAM da Austrália terminaram recentemente um curso de formação em Primeiros Socorros promovido pela Delegação da Cruz Vermelha de Moçambique da Cidade de Maputo, no âmbito da promoção do projecto de Primeiros Socorros Comerciais que a instituição introduziu há sensivelmente três anos. 

A formação dos funcionários da OXFAM teve a duração de 10 dias comportando temas tais como alterações cardiovasculares, choque, hemorragia, envenenamento, queimaduras, afogamento, mordedura de cobras e alcoolismo agudo, entre outros assuntos, que vão permitir aos formandos agirem coma devida urgência em caso de necessidade. Aliás, os participantes afirmaram que com os conhecimentos adquiridos nesta formação estão minimamente preparados para enfrentar algumas situações que amiúde acontecem em casa, no local de trabalho, até mesmo na rua. 

SIDA AINDA NÃO TEM CURA. PREVINA-SE!!

 

Fráuzia Pereira, funcionária desta instituição, disse, por exemplo, que o curso de 1º socorros é uma formação básica que cada um de nós deve ter para resolver algumas coisas urgentes que enfrentamos no nosso dia a dia e que muitas vezes criam-nos dissabores por falta de conhecimentos

Falando do curso em si, Fráuzia disse que os assuntos abordados são para si fáceis de assimilar, tendo aventado a possibilidade de quando terminar a formação transmitir os seus conhecimentos a outras pessoas, porque, na sua óptica, quando a pessoa aprende algo tão importante como o são os primeiros socorros deve ter a preocupação de transmitir os seus conhecimentos a outras, para que também estejam em condições de enfrentar certas situações imprevisíveis que às vezes acontecem no nosso quotidiano. 


Fráuzia Pereira

De acordo com a nossa interlocutora, a OXFAM decidiu organizar esta formação para todos os funcionários da instituição, independentemente da área em que trabalha ou função que desempenha. salvar é tarefa de todos, independentemente da tarefa que desempenhamos

Luísa Bata Daniel não é funcionária da OXFAM, mas encontramo-la a frequentar o mesmo curso. Ela é Auxiliar Administrativa do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFP) e explica a razão da sua inclusão nesta formação: Nós temos tido muitos acidentes de trabalho na empresa, alguns dos quais com consequências que a nível interno poderíamos minimizar, se tivéssemos uma formação em primeiros socorros. E, confrontado com esta realidade, o Sr. Delegado achou que deveríamos ter esta formação. Depois de alguns contactos com a CVM, surgiu esta oportunidade e eu fui escolhida para ser formada e fui enquadrada

Luisa diz estar entusiasmada com esta formação, que o seu sonho de sempre. Aliás, ela já pensa em se inscrever para a próxima formação a ter lugar em Setembro deste ano, em lugar ainda por indicar. Por outro lado, ela diz ter noções básicas de enfermagem, o que adicionado aos conhecimentos que adquiriu nesta formação vai permitir que ela desenvolva a sua actividade sem constrangimentos de ordem técnica.


Luisa Daniel

Esta minha formação não vai servir só para o meu local de trabalho. Vou transmitir a minha experiência a mais pessoas em casa, no bairro e onde quer que eu esteja. Eu ficaria muito satisfeita se cada pessoa tivesse esta preparação, porque muita coisa poderia ser evitada. É que muitas vezes as pessoas envolvem-se num acidente e acabam perdendo a vida por uma coisa facilmente evitável, bastando para tal o conhecimento de certas técnicas de lidar com a situação. E em muitos casos nem é preciso nenhum remédio, mas sim um pequeno exercício físico. 

Agora que terminou a formação vou pedir cotações para a compra de um kit de Primeiros Socorros para começar a trabalhar. Vou também pedir informações sobre como me inscrever para ser membro da Cruz Vermelha de Moçambique. Há muito que quero me filiar nesta organização, só que nunca tinha estado tão próximo de pessoas ligadas à organização.

STOP SIDA. CUMPRA A PROMESSA!!

 

César Inácio, Oficial de Programas na OXFAM, disse, por seu turno, que esta formação vai ser muito útil, não só para os colegas com quem labuta, dia a dia, mas também para amigos e familiares. Eu tenho trabalhado no campo, e há situações que acontecem e que requerem um tratamento especial e que por limitações, nada fazemos. Agora, com esta formação, em vez de ficar à espera que alguém venha para socorrer, já posso fazer algo.

Depois da formação, César diz que continuará a realizar normalmente a sua actividade e, em caso de necessidade lá estará para aplicar os conhecimentos adquiridos. Não vou trabalhar como formador, mas para enfrentar situações do meu dia a dia, rematou. 


César Inácio

O curso de Primeiros Socorros para os funcionários da OXFAM foi orientada pela voluntária Iva Mabombo. 

Falando do seu trabalho, ela disse que tudo correu tal como esperava, tendo concorrido para este sucesso o facto de os formandos terem facilitado muito o seu trabalho. Os participantes deste curso são pessoas com muita vontade de aprender, razão pela qual, já no final do curso se mostravam capazes de aplicar na prática os conhecimentos que aqui adquiriram. Eles já são capazes de resolver alguns problemas do seu dia a dia


Iva Mabombo

Enquanto isso, na Escola Secundária Noroeste 1 decorreu um curso semelhante, mas desta feita virado essencialmente para jovens. No total foram formados 26 estudantes daquele estabelecimento de ensino.

Na Catembe, arredores da capital do país, decorre desde segunda-feira, 21 do corrente mês, um curso de primeiros socorros, no qual participam 20 voluntários daquele ponto do país. Esta formação tem a duração de uma semana. 

Entretanto, dados disponíveis indicam que, desde que começou a campanha de promoção de primeiros socorros, a Delegação da Cidade de Maputo já realizou 52 formações, sendo 37 Comerciais e os restantes para estudantes e voluntários da Cruz Vermelha de Moçambique. No total foram formados cerca de 1117 trabalhadores, sendo de destacar os da Mozal, Petromoc, Alfândegas, Maragra, Açucareira de Xinavane, Cimentos de Moçambique, British Concil, Casino Polana, Electricidade de Moçambique, entre outros.

Em termos de desafios, segundo dados a que tivemos acesso, a Cruz Vermelha de Moçambique espera estender a prática de Primeiros Socorros a todas as pequenas, médias e grandes empresas do país, tendo como horizonte a massificação dos serviços de Primeiros Socorros.

Para esta meta, a instituição já conta com um número considerável de monitores formados em todo o território nacional, um número que se espera venha a aumentar para responder à demanda que se vai registando, à medida que os serviços de Primeiros Socorros vão sendo divulgados.

De salientar que a Delegação da Cidade foi a pioneira na introdução de cursos comerciais, e é várias vezes solicitada a operar fora da sua área de “jurisdição”, um prática que poderá reduzir com o plano que está sendo desenhado pelo Centro Nacional de Formação em Primeiros Socorros, visando dinamizar a promoção destes cursos à escala nacional. Segundo o referido plano, cada Delegação deverá fazer o seu “Marketing”, contactar as empresas e realizar formações. Entretanto, tal como disse Nilza Francisco, Directora do Centro Nacional de Formação em Primeiros Socorros, se uma determinada Delegação não revelar capacidade para realizar o seu trabalho, a Delegação que estiver em condições poderá fazê-lo, para se evitar que percamos confiança junto das empresas e outros interessados nos nossos serviços.


Maria Celeste fazendo uma demonstração durante o curso

Queremos fazer dos Primeiros Socorros uma actividade lucrativa e não facultativa, disse a directora do Centro. 

Ela deu a conhecer que o Centro vai introduzir cursos abertos para quem estiver interessado, sendo o valor por pessoa o equivalente a 75 dólares americanos. Aliás, este é o valor aplicado também às empresas, um valor inclui o direito a um manual de Primeiros Socorros e um Certificado.

Interrogada sobre o número mínimo exigido para o início da formação, Nilza disse que o desejável é 20, mas se conseguirmos reunir pelo menos 10 pessoas já podemos realizar a formação. O mecanismo de coordenação fica ao critério de cada Delegação Provincial, porque cada região tem as sua especificidades.

Outro dado importante avançada pela directora do Centro Nacional de Formação em Primeiros Socorros tem a ver com o destino a dar aos honorários resultantes das formações. Disse, com efeito, que do valor total angariado, 80% são retidos na Delegação Provincial e os restantes 20 são canalizados à Sede Central. Ressalvou, no entanto que se for a Sede Central a fazer os contactos e a angariar empresas para a formação, vai acontecer o inverso, isto é, os 80% seguem para a Sede e a outra parte reverte a favor da Delegação que realiza o curso.

Num claro sinal de que o comboio vai dar o sinal de arranque à escala nacional, Nilza lança um apelo às Delegações Provinciais, em particular aos Secretários, no sentido de fazerem dos cursos de Primeiros Socorros fontes de rendimento da instituição. 

Peço aos Senhores Secretários que tomem isto como programa de geração de rendimentos, seguindo o exemplo da delegação da cidade de Maputo que tem nos cursos de Primeiros Socorros uma fonte que alimenta alguns projectos.

Aliás, a dinâmica imprimida pela cidade de Maputo, suportada pela leveza com que o processo está sendo levado a cabo em algumas Delegações, pode fazer com que a formação em Primeiros Socorros no país seja monopólio de uma única Delegação. 

Portanto, é imperioso que cada Delegação arregace as mangas e comece a estabelecer contactos com o empresariado local, instituições, etc., para a promoção de cursos de Primeiros Socorros. Eles podem ser uma saída para a resolução de muitos problemas com que a instituição se debate. 

Caso contrário e por aquilo que temos observado, a Delegação da cidade de Maputo pode tomar a dianteira, porque já lançou o seu nome na praça, já conquistou o mercado.

E... camarão que dorme, a onda leva!!!

 

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