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Moçambique: Milhares em risco de doenças e desnutrição no início da estação chuvosa

Foto: FICV

Beira/Genebra, 8 de novembro de 2019–Mais de meio ano desde que os ciclones Idai e Kenneth atingiram Moçambique, milhares de pessoas estão em risco de contágio de doenças e agravamento da insegurança alimentar durante a próxima estação chuvosa. Prevê-se que a insegurança alimentar afectará 2 milhões de pessoas em Moçambique no início do próximo ano, e quase 38.000 crianças estão actualmente em risco de desnutrição. As comunidades afectadas pelos ciclones recentes estão entre as que mais estão em risco.

 

Os danos causados ​​nas instalações de água, saneamento e higiene pelos dois ciclones são em parte responsáveis ​​pelo aumento dos riscos à saúde. As comunidades nas áreas mais pobres da Beira urbana e periferia têm instalações inadequadas de água e saneamento, expondo as famílias a doenças.

 

A Dra. Jemilah Mahmood, subsecretária-geral de parcerias da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), esteve no centro de Moçambique, a liderar uma delegação de alto nível de funcionários da Cruz Vermelha e doadores que visitam áreas afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. Ela disse:

 

“A estação chuvosa representa uma ameaça real à saúde das comunidades que já estão em estado de extrema vulnerabilidade. Moçambique é um dos países mais propensos a desastres do mundo. Temos visto uma tendência clara de aumento de desastres deste tipo.”

 

“Sabemos que futuros desastres ocorrerão; não podemos impedi-los. Mas podemos reduzir massivamente os impactos das mesmas investindo na capacidade humanitária local, melhorando as práticas e infra-estrutura de saneamento e higiene, e construindo abrigos mais fortes que possam enfrentar tempestades.”

 

O devastador custo humano e econômico dos ciclones Idai e Kenneth se deve em grande parte à falta desse tipo de investimento em projectos preventivos e ações antecipadas. Em maio, a FICV informou que o preço associado às operações de resposta humanitária da Cruz Vermelha e da ONU após os dois ciclones seria de aproximadamente 1.000 vezes os 340.000 francos suíços que a FICV disponibilizou antes que o Idai atingisse terra firme para ajudar a evacuar e preparar comunidades em risco.

 

Mahmood também disse:

 

“Esta é uma das lições mais dolorosas e pertinentes de Moçambique: os investimentos em preparação são críticos para reduzir o sofrimento humano e salvar inúmeras vidas. Apelamos aos governos, doadores e atores humanitários para que façam mais para prevenir e reduzir o impacto de futuros desastres aqui em Moçambique.”

 

A Cruz Vermelha está a trabalhar com as comunidades afectadas para que as mesmas se prepararem para a próxima estação chuvosa e futuros desastres. Isso inclui reconstruir casas resistentes a inundações e ventos, apoiar na prevenção de surtos comunitários e ajudar os agricultores a cultivar culturas mais fortes para combater a insegurança alimentar. A Cruz Vermelha prestou assistência a mais de 192.000 pessoas e continua a apoiar as pessoas mais vulneráveis, oferecendo abrigo, serviços de saúde, água, saneamento, promoção de higiene, assistência alimentar, apoio psicossocial e de subsistência.